No
dia 6 de Março realizou-se, em Brunhoso, um convívio entre a
população da aldeia. A iniciativa partiu da junta de freguesia, que
convidou toda a população para um dia diferente.
As actividades começaram bem cedo pois era preciso que as pessoas se
desinjuassem. Foram poucos os que aparecerem, tão cedo,
porque a vida na aldeia é bastante ocupada. A par de outras iguarias
mais modernas, não faltou a aguardente, os figos secos, as
azeitonas, presunto e bolas fritas.
Ainda as pessoas se encontravam em volta da mesa quando chegou a
carrinha que transportava o porco que seria um dos elementos
essenciais do convívio. Do programa fazia parte uma matança
tradicional do porco, coisa praticamente desconhecida para os mais
novos e bastante saudosa para os mais idosos. Estes rituais,
polémicas à parte, fazia parte do quotidiano da vida na aldeia e
estava intimamente ligada à sobrevivência das pessoas. Era um dia
diferente, quase festa, mas nunca a festa da morte do animal, antes
a festa da vida das pessoas e a promessa da carne necessária para o
resto do ano, dada a utilização dos tradicionais processos de
conservação das distintas partes do animal.
Acendeu-se uma enorme fogueira em frente à Casa do Povo, e nela
foram colocadas duas grandes panelas de ferro. Era esperada muita
gente, que aos poucos foi chegando. Veio também a autoridade
sanitária que atestou a conformidade da saúde do animal.
Não faltaram braços e mãos para ajudar e um animal foi pouco para
todos os que queriam recordar os procedimentos que tantas vezes
repetiram! Depois de morto, o animal foi chamuscado e lavado. As
opiniões dividiram-se entre a utilização de uma pedra ou de um
bocado de cortiça para esfregar, mas ambas se mostraram eficientes.
O sangue foi recolhido para a confecção das tradicionais sopas do
xis (tchis), prato indispensável em todas as matanças na aldeia. Os
pordentros (vísceras) e as pontas das costelas foram
separados e preparados para o guisado.
Enquanto o porco era desmanchado, algumas mulheres foram ao ribeiro
da Faceira fazer uma demonstração do tratamento que era dado às
tripas. Mesmo sem terem praticado ultimamente, manusearam com grande
destreza uma verga de olmeira que serviu para retirar do interior
das tripas todo o lixo nelas existente e ficarem finas como fios.
A azáfama no salão da Casa do Povo era muita e na cozinha anexa
ainda mais. O salão ficou preparado para receber cerca de 100
pessoas e na cozinha, mesmo com o nervoso miudinho com receio de que
algo pudesse correr mal, e apesar de serem muitos os que se
disponibilizaram para colaborar, não havia tempo para pensar.
Tirando o bolo comemorativo e alguns pastéis, tudo foi confeccionado
localmente, desde o arroz doce, passando pelas sopas, até ao prato
principal, o guisado de porco com batas cozidas. Entretanto
realizavam-se alguns jogos tradicionais para ocupar toda a gente.
Chegaram os convidados, pessoas que ocupam os cargos mais altos nos
órgãos concelhios. As pessoas foram entrando, tomando os seus
lugares e o salão ficou quase repleto, depois de acrescentados mais
alguns lugares de última hora.
Das entradas constou, queijo, presunto, nozes, chouriço assado,
alheira, salpicão, presunto e frango cozidos na água com que se
amoleceram as sopas. Foram servidas sopas do xis e sopas de
estrelinha, salada, e guisado de porco com batas cozidas. Não faltou
o pão, o vinho e as azeitonas. A refeição foi farta e demorada. À
mesa as conversas fluem. Nas pequenas aldeias de Trás-os-Montes, a
mesa e a lareira são de grande importância. Degustaram-se as
iguarias, colocou-se a conversa em dia e mataram-se algumas
saudades, dos pratos e das pessoas, uma vez que estes convívios
também servem, sobretudo, para juntar pessoas.
Como sobremesa foi distribuída fruta, pasteis, servido arroz doce e
bolo decorado especificamente para este convívio.
Está de parabéns a Junta de Freguesia pela organização de mais este
convívio e a população pela adesão à iniciativa e pela preciosa
ajuda que alguns deram para que o evento fosse um sucesso.