|
(Artigo publicado no Semanário Transmontano, edição de 24 de Dezembro de 1999) |
|
O I Seminário Internacional sobre Pombais aconteceu no passado dia 21, em Zamora, coorganizado pela Associação de Desenvolvimento dos Concelhos da Raia Nordestina (Corane), uma das cinco associações portuguesas e espanholas envolvidas num projecto transfronteiriço de recuperação e valorização dos pombais, desenvolvido no âmbito do programa Leader II. Os objectivos deste projecto passam pela comercialização e pela afirmação do pombo com importante produto gastronómico, e, também, pela eventual criação de um rota turística que tenha como símbolo o pombal.
Em cima da mesa, ao longo do dia de terça-feira, que reuniu responsáveis das cinco associações congéneres, para além da Corane, a Adri-Palomares, a Adata, a Adri-Valladolid Norte e a Adeco-Canal, estiveram questões como a avaliação dos pombais como património arquitectónico e vector de turismo, a sua integração no meio ambiente, a problemática da reabilitação ao nível do restauro e do seu funcionamento, a criação dos pombos (alimentação e reprodução) e, ainda, a sua comercialização.
No fim do dia, da leitura das conclusões finais ficou a certeza da necessidade de proteger estes “símbolos da nossa arquitectura popular”, no sentido de deter a sua degradação. Outro dos pontos de consenso do encontro foi a tomada de consciência da representatividade dos pombais como paisagem, natureza, tradição e fonte de rendimento (por associação com a gastronomia).
Como explicou ao Semanário Transmontano Rui Caseiro, coordenador da Corane, este seminário significou mais um passo no seguimento da sensibilização da população e das entidades que eventualmente possam vir a desempenhar algum papel na revalorização dos pombais enquanto pontos de referência turística, por um lado, e enquanto criadores de um produto gastronómico. A inclusão do pombo na alimentação caiu em desuso em Portugal mas esta ave continua a ser muito apreciada entre os espanhóis.
Na região de Valladolid, existe mesmo uma zona específica onde persiste o hábito de comer o borracho (pombo pequeno), e onde funciona um matadouro só para pombos. A procura é tanta, que chega a exceder a oferta, como nos disse Rui Caseiro a propósito deste projecto.
Em curso, no âmbito desta iniciativa luso-espanhola, está já a ser realizado o levantamento dos pombais existentes na área de intervenção da Corane, que, segundo Rui Caseiro, está a ser muito bem recebido, nomeadamente pelos presidentes das Juntas de Freguesia dos quatro concelhos implicados, junto dos quais estão a ser recolhidos os dados. Só depois de “termos o conhecimento real da situação” em termos do espólio existente, se poderá avançar para a formalização de uma candidatura no sentido da concretização deste projecto, salienta Rui Caseiro.
Recordamos que a Corane está a financiar, através do programa Leader, conjuntamente com as restantes associações congéneres que abrangem a área do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), um projecto promovido pelo próprio Parque, de recuperação e revitalização de pombais. Só a Corane é responsável pela reabilitação de 32 deles.
Última actualização: 13 de Março de 2000
Fotografia: Copyright © de Bemposta - Parque Natural do Douro Internacional
Autora: Virgínia do Carmo (Semanário Transmontano)
Responsável: Reis Lima Quarteu